Nesse final de semana levei meu filho para ver a nova animação da Sony Pictures Animation: Tá Dando Onda, ou Surf´s Up no original.
O filme acompanha a trajetória do pinguim Cody Maverick, ou Cadu para os brasileiros, desde a saída de sua terra natal até a participação no grande Campeonato Anual de Surf na ilha Pen Gu. Cody, na sua casa, sempre foi um incompreendido. Todos, principalmente seu irmão mais velho, acham uma besteira o seu amor pelo surf e consideram Cody um pinguim fracassado e irresponsável. Isso até o dia que o caça-talentos do Campeonato chega à Antártica montado numa baleia e aceita levar o jovem Cody para a disputa.
Lá na ilha, ele descobre que as ondas e o Campeonato podem ser um pouco mais difíceis do que imaginava, principalmente por causa de Tank, o pinguim brutamontes e sem escrúpulos que vem conquistando todos os troféus nos últimos anos.
O grande acerto dessa animação foi contar a história de Cody e do Campeonato como se fosse um documentário, ou seja, os personagens interagem com a "câmera", há entrevistas, bastidores, cenas de Campeonatos passados... Uma curtição!!! A história em si e os personagens não primam pela originalidade, mas são engraçados e cativantes o suficiente para fazerem os adultos e as crianças rirem.
Como fui ao cinema acompanhada de um "ser" de 4 anos de idade, tive que assistir a uma cópia dublada, fato ao qual já venho me acostumando quando se trata de animações. Mas, particularmente, nesse filme, achei o trabalho de dublagem sensacional, pois como os pinguins são surfistas, eles têm que falar como tal, então, por exemplo, o looser original virou mané em português, entre outras pérolas da dublagem que caíram muito bem no contexto do filme.
A qualidade da animação também não deixou a desejar. As cenas dentro d'água, das ondas, dos tubos, da arrebentação estão muito realistas.
No fundo, no fundo, eu até diria que gostei mais de Tá Dando Onda do que de Ratatouille (2007). Acho que Ratatouille tem um roteiro mais elaborado, trabalha um universo completamente inexplorado na área de animação infantil e tem um final impecável, mas diversão, diversão mesmo, eu tive nas ondas da ilha Pen Gu, ou Pin Gu em português.
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segunda-feira, 12 de novembro de 2007
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Renaissance
Na semana passada entrou no circuito carioca, em uma única sala, o filme Renaissance, uma produção da França/Inglaterra/Luxemburgo de 2006. Ver esse filme foi mais ou menos como ter um filho: você imagina, espera, se informa, acha que sabe o que vai acontecer, mas na hora H, você vê que não estava realmente preparado para essa experiência.Quando as luzes do cinema se apagam e a projeção do filme começa, você é bombardeado com uma animação feita em preto e branco. Mas, é preto e branco mesmo. Sabe aquele branco um pouco mais escuro, ou aquele preto um pouquinho mais claro? Esquece. As imagens são feitas a partir do contraste entre o preto e o branco. Demora para você se acostumar.
Depois que você absorveu esse impacto, se dá conta que o filme se passa em Paris, 2054. E a cidade é um show a parte. Porque temos Montmartre, Torre Eiffel, o metrô parisiense, as margens do rio Sena no estilo clássico da cidade, mas também com elementos futuristas: vidros, passarelas, outdoors que são verdadeiras telas de cinema... E tudo isso foi colocado de uma forma que não descaracteriza a Paris que conhecemos, mas, definitivamente, esta é a Paris de 2054. Direção de arte sensacional.
Entretanto, Renaissance não é um filme comum. É uma animação feita a partir de motion capture, onde os atores vestem roupas pretas que contêm pequenos marcadores e interagem em ambientes com sensores que captam a sua posição e movimento. Toda caracterização e cenários são adicionados depois de forma digital. Isso permite que a câmera tenha ângulos, movimentos e enfoques que são de tirar o fôlego.

E a história? Bom, o filme não tem um roteiro original, mas é bem convincente. Afinal, trata-se de um filme de ficção científica noir, quase que literalmente. Logo no início, uma jovem cientista de futuro brilhante é sequestrada e seu empregador, Avalon, uma mega-corporação voltada para produtos de beleza e bem-estar, faz de tudo para encontrá-la com a ajuda da polícia francesa. Karas, o capitão designado para o caso, vai passar por cima de tudo e de todos para cumprir sua missão. Os elementos de sempre estão lá: a grande empresa que a todos controla, o policial com passado obscuro, a pesquisa genética, o relacionamento entre Karas e a irmã da vítima, o cientista mentor... Porém, não acho que isso prejudica o filme em nada. O enredo foi bem amarrado, a discussão sobre beleza e vida é bem atual e o final, na minha opinião, é perfeito. Todos temos que fazer escolhas e elas nem sempre são fáceis.
Sinceramente, a única coisa que eu reprovaria em Renaissance são os diálogos. Alguns deles, simplesmente, não soam naturais. E isso não é por culpa da tecnologia adotada, acho que, realmente, é uma questão de roteiro. Mas, esse é um detalhe ínfimo para uma obra tão marcante e completa. O filme, inclusive, já ganhou prêmios em festivais de animação e de fantasia. Christian Volckman, o diretor, e sua equipe merecem.
Health. Beauty. Longevity. Avalon. We're on your side. For life.
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